Em entrevista ao CBIC a publicitária, futurista e pesquisadora sobre o futuro do trabalho da Rede Crie Futuros, Datise Biasi, apresentou perspectivas para o mercado de trabalho, com os avanços tecnológicos e as mudanças sociais, e como serão as novas empresas e relações trabalhistas.
CBIC: Como a revolução tecnológica está mudando as relações de trabalho?
Datise Biasi: Temos reflexos claros nessas mudanças – onde a tecnologia afeta as formas de trabalho, dando mais flexibilidade e autonomia, bem como em relação ao tempo e espaço -, mas ao longo do tempo vai impactar ainda mais, principalmente com as tecnologias emergentes. Porém, o mais interessante é notar como essas tecnologias afetam a nossa relação com o trabalho. Como a gente enxerga e compõe o nosso trabalho ao longo da vida é que está mudando cada vez mais rápido e precisa ser observado para se adaptar, como mercado. Entender quais são os anseios, o que as novas economias estão trazendo e, dessa forma, entender como é que os trabalhos estão mudando. É preciso avaliar se a carreira continua sendo vista da forma como sempre foi.
CBIC: Essas mudanças são positivas ou tem pontos negativos também?
Datise Biasi: Toda tecnologia vem para trazer melhorias. O que pode ser negativa é a forma de reagir a essa tecnologia. A tecnologia nos traz a necessidade de se adaptar às tecnologias e transformações que estamos vivendo.
CBIC: Como as empresas estão se adaptando à nova realidade?
Datise Biasi: As empresas já estão buscando mudanças, principalmente na forma de constituir suas equipes, na sua estrutura e na forma de gestão. As empresas que estão começando a se constituir, do zero, com pessoas que já passaram por uma fase longa em suas carreiras, já apresentam essa constituição mais aberta, mais horizontalizada. A grande questão é que cada vez mais cada um de nós será a sua própria empresa. Como é que a gente vai lhe dar, enquanto empresas, para reter e engajar as pessoas que estão buscando por oportunidades e querendo se desenvolver de tantas diferentes formas? Esse é outro desafio que temos pela frente.
E.C.S: Como você enxerga a relação de trabalho daqui a 20 anos?
D.B.: Acho que vamos ter uma “calda longa do trabalho”. A gente vai continuar tendo organizações e modelos semelhantes aos que temos hoje, mas sinto que cada vez mais os profissionais serão suas próprias empresas e cada vez mais a quantidade de habilidades que você tiver para oferecer ao mundo será suas profissões, independente de termos carreiras lineares. Entendo que as pessoas vão se desenvolver em diferentes habilidades, vão entregá-las para o mundo e isso vai nos tornar múltiplos para as nossas próprias empresas. O trabalho autônomo, em rede, distribuído, será cada vez mais uma realidade.
- Postagem feita por Lucas Britto, Aluno da Fatec

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